Debate político: Esquerda, Direita e outras vias….

Encontrei esta sequência de vídeos no Youtube de uma discussão muito bem conduzida, onde dois grandes filósofos brasileiros – Marcos Nobre e Luis Felipe Pondé – colocam ideias políticas conflitantes frente a frente e são mediados por Otavio Frias Filho.

Acompanhe:

 

E você? Onde se posiciona dentro do espectro político?

1964: Golpe de Estado ou Revolução? Nenhuma das alternativas

Contar a História é sempre algo arriscado. Mesmo com todas as ferramentas metodológicas que norteiam a técnica, é muito difícil fazer uma narrativa objetiva – sem parcialidade ou valores arraigados. Existe uma máxima que diz “a história é contada pelos vencedores“, e numa Era onde a comunicação se tornou cada vez mais veloz e acessível, pode-se perceber a forte influência das convicções do presente na forma como os eventos históricos são contados, inclusive na semântica com que são batizados.

Não quero com este texto advogar a favor ou contra a ditadura militar. Ao contrário, busco combater o discurso maniqueísta. Os eventos de 1964 tem inúmeros pontos obscuros e outros quase inquestionáveis.

Contexto histórico. Tratar do contexto histórico de 1964 cinquenta anos depois é um pouco complicado. Existe uma visão onipresente nos livros didáticos e na mídia de massa que enxerga a história política do Brasil como uma disputa entre o Bem e o Mal. Onde os opositores dos militares são vistos como democratas e vítimas do regime instalado, enquanto os militares são vistos como tiranos. Existe também a visão predominante na classe média, que inverte os valores citados.

Entretanto, existem vozes destoantes. Pesquisadores que buscam tratar o contexto de 64 através da imparcialidade ou sob outras óticas. José Maria Silva chama a atenção para o fato de que os militares contaram com amplo apoio da imprensa, da classe média, de milhões de brasileiros preocupados com a ameaça de uma revolução comunista. Recomendo o texto do link, e por hora, deixo a síntese da autora:

O Regime Militar salvou o Brasil de se tornar uma grande Angola. Mas não se deve combater o mito guerrilheiro com outro mito — o do Exército salvador da pátria, que, a cada ameaça comunista, é chamado a salvar a democracia a golpes de Estado.

Revolução ou Golpe de Estado? Revolução pode ser caracterizada como a quebra ou inversão da estrutura política e da hierarquia social. O golpe de Estado, por sua vez, é a ruptura da ordem jurídica para substituição de elementos no governo, ou liquidação de um órgão no governo de um Estado.

Laurentino Gomes escrevendo para o jornal El Pais, discutiu sobre o trato dos conceitos:

Em 1889, o marechal Deodoro da Fonseca derrubou a monarquia à frente de tropas do Exército que sitiaram os ministros do imperador Pedro II dentro do prédio do Ministério da Guerra, no Rio de Janeiro. O Visconde de Ouro Preto, chefe do Gabinete, foi preso e obrigado a renunciar pela força das armas. Na aparência e no conteúdo foi, portanto, um “golpe militar” contra o Império, mas não é assim que passou para a história. Situação idêntica ocorreu em 1930.

Em geral, os livros de História se referem ao movimento que derrubou o governo do presidente Washington Luiz como “Revolução de 30”, embora tenha sido um inegável “golpe militar”, tanto quanto o de 1964. Getúlio Vargas era uma liderança civil, mas chegou ao poder por meio de uma genuína quartelada, como se pode conferir na excelente biografia do personagem escrita pelo jornalista cearense Lira Neto, pela Companhia das Letras.

Pode-se inferir que as convicções do presente podem influenciar na maneira como o passado é lido.

Cláudio de Cicco vê em 64 no Brasil, não uma revolução pois os militares deram nítida conotação anticomunista a seu movimento. Neste sentido, a verdadeira revolução era a movimentação das forças comunistas, mais ou menos inspiradas pelo modelo da revolução cubana. Defende então que os militares realizaram uma contrarrevolução, ou seja, não pode-se reduzir a um golpe de Estado, afinal, foi um movimento armado que quebrou a ordem jurídica para frear uma revolução socialista e impor não um regime liberal mas um regime autocrático de rígido controle estatal.

Esta terceira via parece ser uma construção mais sólida e bem fundamentada, isso porque lança nova luz sobre a discussão histórica, antes viciada pelas paixões políticas.

Conclusão. Mais do que discutir o valor semântico dos eventos de 1964, é preciso entender que a República brasileira não pode e não deve ser aquartelada, mas também não pode se esconder atrás de uma mentira romântica em que determinados atores modelam a história de acordo com a sua concepção de mundo. É necessário combater o maniqueísmo ideológico, que reduz o senso crítico e cria ilusões e discursos inflados. Precisamos de crítica, e isso só pode ser alcançado através de uma educação de qualidade que nos qualifique a entender o papel da história e não mascarar um passado de exageros.

Hoje, 50 anos depois, podemos enxergar os eventos de 64 a partir de outras conotações além das tradicionais. É tanto um exagero conceitual dizer que houve Revolução, quanto classificar como golpe de Estado. A quem interessa sustentar tais discursos? Vivemos um cenário político parecido com o daquela época e os sinais estão por todas as partes, desde discursos saudosistas do governo militar até o radicalismo nas práticas e discurso da esquerda política. Chega de negar a história, afinal, não conhecê-la é estar condenado a repeti-la.

Cotas raciais em Concursos Públicos: Igualdade ou Privilégio?

Esta semana a Câmara dos Deputados aprovou com 314 votos a favor, 36 contra e seis abstenções, projeto de lei que reserva 20% das vagas de concursos públicos da administração federal para negros – o que engloba autodeclarados pretos e pardos, que é a nomenclatura adotada pelo IBGE. O projeto é de autoria do governo e representa uma grande vitória política para a militância do Movimento Negro. O texto agora será submetido à votação no Senado.

Segundo publicação de O Globo:

O projeto determina que as cotas serão aplicadas durante dez anos, em concursos que ofereçam pelo menos três vagas. A exemplo do que ocorre no sistema de cotas de universidades federais, cabe aos candidatos autodeclararem-se pretos ou pardos. A redação encaminhada pelo governo, no entanto, permite a adoção de mecanismos de controle para evitar fraudes. “Na hipótese de constatação de declaração falsa, o candidato será eliminado do concurso e, se houver sido nomeado, ficará sujeito à anulação da sua admissão ao serviço ou emprego público”, diz o texto, sem especificar como seria feito o controle.

(…)

O relator Picciani defendeu a nova cota, argumentando que se trata de mais uma ação afirmativa para combater desigualdades históricas entre brancos e negros.

Sistema de Cotas: igualdade de condições ou privilégio? As ações afirmativas são políticas muito utilizadas pelos partidos de esquerda e centro-esquerda sob o pretexto de corrigir “dívidas históricas”, a exemplo do que ocorre nas Universidades Públicas que reservam certa proporção de vagas para candidatos autodeclarados de determinadas etnias. Acontece que na proposta aprovada na Câmara, para os concurso públicos federais, as vagas “raciais” – como discrimina o texto do projeto – reserva vagas apenas para candidatos autodeclarados pretos ou pardos e, por alguma razão, exclui indígenas e outras etnias.

Inicialmente, deve-se questionar o conceito de raças. Eu sei, a discussão já foi repetida a exaustão mas é, no mínimo, incoerente utilizar o “discurso racial” para defender apenas um grupo. Outro ponto a se questionar é a constitucionalidade do projeto mesmo que o texto tenha passado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. No meu entendimento, o sistema de cotas fere o princípio da Isonomia, entretanto, especificamente neste caso, a situação é um pouco mais séria: os candidatos negros concorrerão, ao mesmo tempo, às vagas da cota racial e às destinadas à ampla concorrência e os que obtiverem nota suficiente para aprovação dentro do número de vagas da ampla concorrência não tirarão vaga do sistema de cotas.

Por fim, a questão técnica. Um concurso público serve como ferramenta de seleção e busca-se os mais qualificados para exercerem atividade dentro da máquina pública. Não faz sentido privilegiar determinados indivíduos apenas pela cor da pele. Qual a diferença de um negro pobre para um branco pobre? Se o objetivo é corrigir desigualdades sociais, por que não buscar um critério mais objetivo e isonômico?

Demétrio Magnoli, em sua coluna de quinta-feira n’O Globo, sintetizou:

“Cotas raciais não existem para promover justiça social, mas para convencer as pessoas a usarem rótulos de identidade racial”.

Pelo visto, algo tão primitivo como a utilização das “raças” está voltando a ser o cerne da discussão política, o que pode resultar não em integração, mas em segregação. Apoiada no discurso coletivista, que desconsidera as singularidades dos indivíduos em nome de uma característica determinante: a cor da pele. Afinal, todos somos de uma mesma raça: Humana.

Maioria diz que mulher com roupa curta “merece” ser atacada

É isso aí: “o povo brasileiro é mesmo reacionário”, dirão alguns. Um estudo divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que a maioria da população brasileira acredita que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” e que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. Falta de educação de qualidade ou formação humanística? Pode ser.

UOL divulgou que a pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social, do Ipea, sobre a tolerância social à violência contra as mulheres, entrevistou 3.810 pessoas em todas as unidades da federação durante os meses de maio e junho de 2013, sendo que as próprias mulheres representaram 66,5% do universo de entrevistados.

O estudo é divulgado logo após a ocorrência de casos de violência contra mulheres no transporte público em São Paulo. No Pará, a Justiça passou a adotar em Belém um dispositivo conhecido como Botão do Pânico para que as mulheres denunciem casos de violência.

Na pesquisa, os entrevistados foram questionados se concordavam ou não com frases sobre o tema:

65% concordaram que a mulher que usa roupa que mostra o corpo merece ser atacada;

42,7% concordaram totalmente, e 22,4%, parcialmente.

Em relação à frase “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”:

35,3% disseram estar totalmente de acordo

23,2% afirmaram concordar parcialmente.

Violência doméstica é condenada. Por outro lado, a pesquisa mostra que a maior parte dos entrevistados condena a violência doméstica contra a mulher.

O índice de concordância com a frase “Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia” alcança os 91%.

Também são altas as taxas de concordância com frases que representam decisões que a mulher deve tomar caso seja agredida pelo marido.

85% entendem que o casal deve se separar se houver violência.

82% discordam da frase “A mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos”.

A pesquisa revela, entretanto, que ainda há certa dubiedade na avaliação do caráter público ou privado dos casos de violência doméstica.

Quase 82% estão de acordo com a frase “O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros”.


Admito que foi, no mínimo, espantoso ver esses resultados. Mas espantoso mesmo é ver que, no final da publicaçãoo perfil dos entrevistados demonstra que 66,5% do público foi composto por mulheres.

Fiz uma pesquisa rápida no google e já vi pipocar textos do tipo “Sou Homem e Tenho Vergonha”. Alguém quer apostar que esses números serão utilizados como arma ideológica? Ih, parece que já estão usando, vide Sakamoto.

No entanto, a amostragem parece ser pequena e a metodologia, pra quem entende o mínimo de estatísticas, parece falha. No mais, me pareceu que o objetivo da pesquisa era mesmo causar “polêmica”.

Governo paga passagem de repórter estrangeiro para conhecer o Brasil, e ele é assaltado

Seria cômico se não fosse trágico… Mentira, é cômico mesmo sendo trágico!

O jornalista britânico Ian Herbert do jornal The Independent veio ao nosso país, a convite do Governo brasileiro, para conhecer três cidades sede da Copa do Mundo de 2014 e, escrever sobre elas. A parte cômica (e trágica!) a que me referi na primeira linha, foi o fato de o jornalista ter sofrido uma tentativa de assalto na praia de Copacaba.

A caminhada deste correspondente na praia de Copacabana com outras quatro pessoas às duas horas da manhã provou-se uma má ideia – e talvez ingênua – quando meia dúzia de jovens se materializou exigindo relógios e dinheiro e empunhando armas – Escreveu na reportagem.

O título da matéria do The Independent, aliás, “É caos no Brasil, mas não entre em pânico” soa condizente com o conteúdo do texto, que mostra uma visão otimista sobre a realização do Mundial, apesar de mencionar todos os problemas envolvendo a organização do evento. Talvez o jornalista tenha entendido o “jeitinho brasileiro”.

“Nada disso significa que a Copa não funcionará”.

“Hoje é possível enviar e-mail com um vídeo de um celular enquanto se navega no rio Amazonas, se você preferir não olhar para os jacarés Cayman”.

A viagem foi oferecida pelo governo brasileiro, através da Embratur. As chamadas “press trips”, segundo publicação da Exame, são convites usados rotineiramente pelo poder público e por empresas para apresentar a pessoas da imprensa novos produtos e lugares (e estimular que abordem o assunto em textos jornalísticos, se acharem interessante).

Tsc tsc… Parece até esquete do Casseta e Planeta em 2002.

PF detém jovem com maconha na UFSC, e alunos ocupam reitoria

O Jornal O Globo noticiou ontem que agentes da Polícia Federal detiveram um jovem com maconha na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. Os policiais teriam sido cercados por um grupo de universitários no bosque da instituição, impedindo que o detido fosse levado. A Polícia Militar foi chamada para dar apoio à operação e usou bombas de efeito moral. De acordo com o departamento de segurança da UFSC, outros quatro alunos foram detidos por vandalismo, e um grupo de universitários ainda ocupa o hall da reitoria em protesto durante a noite.

— Tem um grupo grande ainda, mas nem chegamos até lá porque eles revidam — disse um funcionário que preferiu não se identificar, acrescentando que carros da PF e da segurança do campus, que preferiu não se identificar.

Vídeo publicado no YouTube (abaixo) mostra cenas de confusão e corre-corre após o uso de bombas de efeito moral pela Polícia Militar


A história é cíclica. Estudantes de uma Universidade fazendo arruaça por causa de repressão contra o uso de drogas dentro do campus… soa familiar? E mais, ocupando o prédio da reitoria e depredando as viaturas policiais, o que pode ser classificado como atos de vandalismo. É como se já tivesse acontecido antes… espera! Já aconteceu. Na USP, lembram?

Ora, a Polícia Federal (sim, a que tem jurisdição dentro do campus) foi chamada para verificar uma denúncia de Tráfico de Drogas. Pode soar bobo para alguns, mas é crime. Simples assim. A violência urbana é financiada pelos usuários de drogas e acham que não tem problema algum.

Sim, é importante discutir sobre a legalização das drogas. Penso que o indivíduo deveria ter a liberdade de fazer o que quiser, inclusive de usar a droga que quiser. No entanto, temos leis que vigem e seu cumprimento é determinante para garantir segurança aos demais. Enquanto a maconha não for legalizada, continua sendo crime. Além do que, o tráfico é uma atividade totalmente nociva para a sociedade. E não estou tentando fazer discurso moralista, mas sim legalista.

Que reclamem da truculência da polícia, mas que cumpram a lei. E cobrem de seus representantes a discussão sobre o tema, isso é Democracia.

PSOL desiste de expulsar deputada acusada de fazer caixinha

Foto: Carlo Wrede/Ag. O Dia

O site da VEJA publicou hoje, mais cedo:

A Comissão Nacional de Ética do PSOL arquivou o processo de expulsão da deputada estadual Janira Rocha, do Rio de Janeiro, acusada de arquitetar um esquema de caixa 2 na campanha de 2010 e de desviar recursos do Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social (Sindsprev). Janira, em uma gravação de áudio, cobra parte dos salários de funcionários de seu gabinete. Para o relator do caso, ex-senador José Nery, no entanto, não foi identificada a prática da “cotização compulsória” – um eufemismo para cobrança de parte dos salários. Segundo Nery, militantes do partido que trabalhavam para a deputada contribuíam de forma voluntária. “No nosso entendimento, a contribuição, desde que seja voluntária, não compulsória, não pode ser considerada um crime ou um delito”, afirmou o ex-senador. O relator do caso conclui o relatório afirmando que “não havendo qualquer prova concreta de que a quotização praticada no gabinete da deputada fosse feita mediante coerção e, considerando que esta é uma prática legal (…), recomendamos ao Diretório Nacional o arquivamento da denúncia contra a deputada”.

O uso do eufemismo poderia denotar a intenção. Mas o PSOL é  um dos poucos partidos sem histórico de dilema ético, julga-se, aliás, bastião da moralidade e da ética na política. Também pudera… é um partido novo. A questão é: do pó viemos, ao pó voltaremos? O PSOL nasceu do PT, será que a história vai se repetir?

O fato é que a situação ainda não está resolvida. O caso também é investigado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Nesta terça-feira, uma reunião da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Alerj foi cancelada por falta de quórum. Que ocorra a investigação, então. E que seja feita justiça!