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Maioria diz que mulher com roupa curta “merece” ser atacada

É isso aí: “o povo brasileiro é mesmo reacionário”, dirão alguns. Um estudo divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que a maioria da população brasileira acredita que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas” e que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. Falta de educação de qualidade ou formação humanística? Pode ser.

UOL divulgou que a pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social, do Ipea, sobre a tolerância social à violência contra as mulheres, entrevistou 3.810 pessoas em todas as unidades da federação durante os meses de maio e junho de 2013, sendo que as próprias mulheres representaram 66,5% do universo de entrevistados.

O estudo é divulgado logo após a ocorrência de casos de violência contra mulheres no transporte público em São Paulo. No Pará, a Justiça passou a adotar em Belém um dispositivo conhecido como Botão do Pânico para que as mulheres denunciem casos de violência.

Na pesquisa, os entrevistados foram questionados se concordavam ou não com frases sobre o tema:

65% concordaram que a mulher que usa roupa que mostra o corpo merece ser atacada;

42,7% concordaram totalmente, e 22,4%, parcialmente.

Em relação à frase “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”:

35,3% disseram estar totalmente de acordo

23,2% afirmaram concordar parcialmente.

Violência doméstica é condenada. Por outro lado, a pesquisa mostra que a maior parte dos entrevistados condena a violência doméstica contra a mulher.

O índice de concordância com a frase “Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia” alcança os 91%.

Também são altas as taxas de concordância com frases que representam decisões que a mulher deve tomar caso seja agredida pelo marido.

85% entendem que o casal deve se separar se houver violência.

82% discordam da frase “A mulher que apanha em casa deve ficar quieta para não prejudicar os filhos”.

A pesquisa revela, entretanto, que ainda há certa dubiedade na avaliação do caráter público ou privado dos casos de violência doméstica.

Quase 82% estão de acordo com a frase “O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros”.


Admito que foi, no mínimo, espantoso ver esses resultados. Mas espantoso mesmo é ver que, no final da publicaçãoo perfil dos entrevistados demonstra que 66,5% do público foi composto por mulheres.

Fiz uma pesquisa rápida no google e já vi pipocar textos do tipo “Sou Homem e Tenho Vergonha”. Alguém quer apostar que esses números serão utilizados como arma ideológica? Ih, parece que já estão usando, vide Sakamoto.

No entanto, a amostragem parece ser pequena e a metodologia, pra quem entende o mínimo de estatísticas, parece falha. No mais, me pareceu que o objetivo da pesquisa era mesmo causar “polêmica”.

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Um pensamento sobre “Maioria diz que mulher com roupa curta “merece” ser atacada

  1. Pingback: O IPEA assume o erro mas o estrago está feito. Até onde vai a credibilidade das pesquisas? | Klinger Maxwell

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