Início » Mundo » Protestos na Venezuela e o Silêncio Constrangedor da Presidente Dilma

Protestos na Venezuela e o Silêncio Constrangedor da Presidente Dilma

Demorei um pouco para falar sobre este tema por pura preguiça mental. O debate carrega forte questão ideológica, mas já está claro que o cenário político na Venezuela está cada vez mais efervescente, com grupos oposicionistas aumentando a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro que aumenta a repressão violenta sobre a massa opositora. Tal repressão já resultou em mais de 30 mortos desde o início dos protestos (34, de acordo com o G1).

Os protestos iniciaram em Fevereiro nos estados de Tachira e Merida, quando estudantes reclamavam melhorias na segurança pública depois que uma universitária afirmou ter sofrido tentativa de estupro, além do fato de a Venezuela ter a 5a. maior taxa de homicídios no mundo. Outras pautas entraram em questão, como a inflação recorde (números oficiais sugerem inflação anual em dezembro de 2013 foi de 56,2%) e escassez de alimentos básicos, segundo a BBC.

Estudantes venezuelanos entraram em confronto com a polícia durante protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro, em Caracas – (12/03/2014) – Leo Ramirez/AFP

Protestos e violência. Os protestos se tornaram violentos em Tachira, provocando a detenção de vários estudantes, que por sua vez levou a manifestações em Caracas pedindo sua libertação. Foi quando, em 12 de fevereiro, os protestos em Caracas resultaram na morte de três pessoas, baleadas por homens armados depois de uma marcha pacífica no mesmo dia. Muitas manifestações ocorreram, desde então, variando em tamanho desde pequenas reuniões a grandes comícios. A repressão aumentou e o resultado, em números, começou a chamar a atenção internacional.

Governo. O governo, mantendo o discurso Chavista, acusa a oposição de tentar dar um golpe com o apoio dos Estados Unidos, traçando paralelos entre os protestos e um breve golpe de Estado que teve lugar contra Hugo Chávez em 2002. O Presidente Maduro chegou a chamar os manifestantes de “fascistas”.

Ao mesmo tempo, o governo vem chamando seus apoiadores para mostrar a sua força. Diferentes grupos, como os trabalhadores do petróleo e motociclistas marcharam em apoio ao presidente, sugerindo que ele continua a ter um forte apoio entre seu núcleo eleitoral, especialmente as camadas mais pobres da sociedade venezuelana.

Cenário Internacional.  Após as mortes, Catherine Ashton, Alta Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, expressou sua preocupação pela situação da Venezuela e pediu às partes que desenvolvam um “diálogo pacífico”.

O Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, instou as autoridades venezuelanas para “ouvir atentamente as aspirações” dos manifestantes e estabelecer um diálogo com a oposição.

Papa Francisco também expressou sua preocupação com a recente agitação dizendo que espera que “a violência e hostilidade cessará assim que possível”.

Autoridades da ONU exigiram que os casos de agressão contras manifestantes e jornalistas sejam investigados, e pediram a libertação de “qualquer pessoa que permaneça detida arbitrariamente”.

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiu, em uma reunião extraordinária de chanceleres em Santiago, criar uma comissão para acompanhar o diálogo entre governo e oposição na Venezuela, a partir da primeira semana de abril.

Presidente dos EUA, Obama criticou o governo venezuelano para a “violência inaceitável” durante os protestos. Em resposta, Maduro acusou Washington de tentar realizar um golpe de Estado. O presidente venezuelano expulsou três diplomatas norte-americanos de Caracas, mas, ao mesmo tempo, nomeou um novo embaixador em Washington.

Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

Brasil. O silêncio da Presidente Dilma, bem como de outros líderes sul-americanos, chegou a ser criticado em editorial do jornal El País, chegando a cobrar do Brasil uma postura de liderança diante da crise. No entanto, a ligação ideológica entre o Presidente Venezuelano, sucessor de Hugo Chávez, e o partido da presidente brasileira é evidente. Lula, ex-presidente e mentor de Dilma, inclusive chegou a defender Nicolás Maduro e afirmar que a Venezuela é um exemplo de democracia.

Conclusão. O silêncio da presidente Dilma chega a ser constrangedor e conivente com o caos que se instalou na Venezuela. Mas esperar o quê de uma líder que não consegue solver nem os problemas internos de seu próprio país? Principalmente com os recentes escândalos da Petrobras e o efeito sobre a economia brasileira – já antecipadamente previsto. A Presidente tem muito com o que se preocupar, especialmente em ano eleitoral.

Alguns leitores podem concordar e defender que não cabe à Presidente intervir na política do país vizinho. Entretanto, há apenas um ano e meio ela defendia com firmeza o rápido envio dos chanceleres sul-americanos para zelar pela “ordem democrática” do Paraguai, na época em crise política. Além do fato de o Brasil ter interesses e relações comerciais com o país de Maduro. Ontem mesmo repliquei aqui, o abuso econômico cometido pela Petrobras em não cobrar uma dívida absurda por vícios na transação com a PDVSA (petrolífera estatal venezuelana).

Por fim, agindo com essa discrição o Brasil não revela liderança alguma, mas sim total conivência. Podendo inclusive ser indagado se também não é cúmplice do cenário de crise atualmente instalado na Venezuela.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s