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Durante a Guerra de Confetes aqui… a Guerra Fria lá…

Enquanto os festejos de Carnaval acontecem em algumas partes do mundo, um evento bem menos festivo se desenrola na Ucrânia. Uma crise política e econômica que começou há alguns meses, e já resultou na queda do presidente Victor Yanukovych, agora representa ameaça real de conflito.

O presidente russo, Vladimir Putin, decidiu intervir em defesa dos “cidadãos e interesses russos” e recebeu apoio do parlamento para realizar manobras militares na região da Criméia. Mobilizou, então, tropas e um aparato militar digno de uma grande batalha. Acontece que… bem, vou deixar o infográfico falar por mim:

Pra bom entendedor, uma imagem vale mais que mil palavras ou o próprio desenrolar do cenário pode demonstrar aonde quero chegar. Os dados explicitam a forma russa de negociação.

Putin cobra do Ocidente e de Kiev respeito ao acordo assinado com Victor Yanukovych em 21 de fevereiro para garantir discussões sobre as reformas constitucionais que busquem satisfazer as demandas de todos os partidos e regiões – provavelmente um modo mais rápido de aprovar reformas que transformassem a Ucrânia em uma federação, com mais autonomia para regiões de maioria russa e para a Crimeia.

Ucraniano sem camisa protesta na frente de soldados em uniformes não marcados na periferia de Sevastopol, na Ucrânia. (Foto: Andrew Lubimov / AP Photo)

Mas isso significaria reconhecer que Yanukovych ainda é presidente e que o novo governo é, portanto, ilegítimo. O Ocidente, logicamente, não vai concordar com isso. Ora, é a Rússia contra todos! EUA e UE já tentaram dissuadir o presidente russo do uso da força, inclusive ameaçando sanções comerciais e inclusive expulsá-la do G8. De qualquer modo, o secretário de Estado americano, John Kerry, desembarca nesta Terça-feira em Kiev para reforçar o apoio americano à Ucrânia.

Essa polarização remonta ao período de tensão do século passado. E se você ainda não entendeu a gravidade da situação, explico: perdendo a influência na Ucrânia, a Rússia teria muitas perdas não só econômicas e militares, mas principalmente políticas, caso a Ucrânia se alinhe à União Européia. Soma-se ainda, o fato de EUA e Reino Unido serem fiadores da soberania ucraniana a partir do Memorando de Budapeste (assinado em 1994) onde estão obrigados a defendê-la, já que ela entregou suas armas nucleares.

Em suma, caso a Rússia prossiga com as manobras militares e realmente ataque a Ucrânia, os EUA seriam obrigados a intervir, e os conflitos poderiam reincidir em outras questões, para aliados de ambos os lados – como o conflito entre as Coréia do Sul e Coréia do Norte; Israel e Irã, etc.

É claro que é uma análise superficial, mas é bom aproveitar o Carnaval… afinal, a Guerra Fria está voltando.

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